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António Ramos Rosa

A Biblioteca Municipal de Faro, inaugurada em abril de 2001, tem como patrono António Ramos Rosa que se destacou, desde a década de 50, como uma das vozes mais graves e mais sérias da nossa poesia e crítica literária de todos os tempos.
António Ramos Rosa nasceu em Faro, a 17 de outubro de 1924. Aí viveu a sua juventude até 1962, ano em que casa (com Agripina Costa Marques) e que decide ir viver definitivamente para Lisboa. Foi na cidade algarvia que fez os seus estudos secundários que não chegou a concluir por motivos de saúde. Depois de abandonar o liceu, torna-se num autodidata pelos caminhos das letras. Ainda em Faro, recorre às explicações a alunos do secundário como meio de subsistência. Por duas vezes (antes de 1962), vem para Lisboa onde conseguiu o seu primeiro emprego num escritório que não conseguiu suportar por muito tempo. Desta experiência frustrada são um bom exemplo alguns dos seus poemas, nomeadamente, Poema dum Funcionário Cansado e O Boi da Paciência, dois poemas incluídos no primeiro livro publicado pelo poeta (em Faro, 1958) – O Grito Claro. Foi, ainda, em Faro que António Ramos Rosa iniciou a sua carreira literária como poeta e como ensaísta crítico. De 1951 a 1953, fundou e coordenou a revista Árvore e após proibição desta, duas outras revistas – A Cassiopeia (1955) e os Cadernos do Meio-Dia (1958-60). Foi, também, em Faro que, paralelamente à sua militância poética, inicia uma militância política, alistando-se no MUD Juvenil (1947), participando em algumas manifestações contra o regime salazarista e redigindo inclusive alguns manifestos contra o regime. Já anteriormente sob suspeita da PIDE, o poeta será preso a 7 de outubro de 1947. Depois e já em liberdade, o poeta ainda viverá em Faro até 1961, continuando a destacar-se pelos livros de poesia que publica, pelo seu intercâmbio literário com outros poetas portugueses e estrangeiros. Foi, ainda, um exímio tradutor.
“A minha vida culmina com o meu nome a esta casa” – foi assim que o poeta terminou o seu discurso no dia da inauguração da Biblioteca Municipal de Faro, em 23 abril de 2001, da qual passou a ser patrono. Muito bem disposto e animado ainda brindou o auditório com um poema seu dedicado ao novo espaço. Esta também foi uma forma da sua cidade lhe prestar mais uma homenagem.
Na altura da sua morte, na perspetiva de Carlos Cortez (professor de literatura, crítico e ensaísta) “morreu, talvez, o último representante de uma geração de ouro da poesia portuguesa. Homens nascidos nos anos 10 e 20 do século XX, como é o caso de David Mourão-Ferreira, Carlos Oliveira e Mário Cesariny.”
Um artigo que saiu na revista do Expresso, em 27 de setembro de 2013, refere, ainda, que o poeta publicou quase uma centena de livros, foi agraciado com os mais importantes prémios literários portugueses e que veio a falecer vítima de uma infeção respiratória aos 88 anos. “Os poetas nunca partem. Às vezes, encerram para balanço.”

 

Percurso Literário Ramos Rosa

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