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Ria formosa

A cidade de Faro esteve desde sempre ligada à ria, vivendo com ela face a face. Pelas suas águas chegaram sucessivos povos - Tartessos, Fenícios, Gregos, Celtas, Cartagineses, Romanos, Visigodos, Bizantinos, Árabes, Normandos, etc. Uns fixaram-se e aqui viveram, passando por ciclos de evolução ou crise na decorrência normal do quotidiano; outros limitaram-se a pilhar e a saquear. A todos a ria oferecia com abundância as suas riquezas - o marisco, o peixe, o sal e o seu encanto.

 

. "Então a ria de Faro, quando está espelhada e serena como um lago dormente, é um deslumbramento vista ao clarão desses ocasos gloriosos, jorrando uma luz offuscante que se estampa na paizagem e no espelho das águas em matizes da mais caprichosa phantasia, em tonalidades polychronicas n'um predomínio do ouro ardente, até que o horisonte se inflamma n 'um intenso rubor sanguíneo, transfigurando magicamente a vasta lagôa, como se as suas águas crystallinas, luminosas, se tingissem de viva purpura, ao mesmo tempo que, no mais intenso da cyclopica labareda, os barcos vogando ou estanciados na esbrazeada superfície, salamandras enormes vivendo no fogo, assumem um aspecto phantastico envoltos n'aquelle incendio limpido e inoffensivo (Júlio Lourenço Castilho, O Algarve, Porto, 1894, p. 13)."
A Ria Formosa é uma laguna que está separada do mar por um cordão arenoso, interrompido por barras naturais e artificiais. Compreende uma estreita faixa terrestre e um cordão dunar litoral quase paralelo à orla continental, formado por penínsulas e ilhas-barreira arenosas que servem de protecção a uma vasta área de sapal, canais e ilhotes. O Sapal está coberto pela água do mar na maré alta e descoberto na baixa-mar. Nas dunas das ilhas barreira existem espécies vegetais que se adaptaram aos ventos fortes, à salinidade e à permeabilidade do solo, contribuindo as suas raízes para a manutenção e estabilização destas formações arenosas.
O Parque Natural da Ria Formosa situa-se no sotavento algarvio ocupando uma extensa área lagunar delimitada pelas penínsulas de Ancão e da Manta Rota. De um lado está o oceano, contido por uma barreira de ilhas estreitas e arenosas desenvolvendo-se em sentido mais ou menos paralelo à linha de costa: Barreta, Culatra, Ármona, Tavira e Cabanas. A agitação do mar e o vaivém das marés contrasta com as águas meio paradas de uma ria sulcada por sapais, salgados, vasas, ilhotes e um sem número de canais que confinam com praias e cordões dunares que anunciam a terrafirme. As barras entre as ilhas possibilitam a entrada e saída das águas do mar permitindo que a maré se faça sentir em toda aparte. Dois factos dominam porém o horizonte, as ilhas que a protegem do mar e o sapal que lhe confere a sua tonalidade dominante. As primeiras, sujeitas aos caprichos de mares e ventos, têm as suas areias em permanente deslocação, abrindo-se e fechando-se as barras, as próprias ilhas mantendo-se numa contínua migração. A claridade das areias contrasta com o solo lodoso e encharcado do sapal, conjunto de vastas plataformas cobertas de uma vegetação que nos intriga pela monotonia, ora escondida pela maré alta, ora a descoberto quando as águas baixam (Parque Natural da Ria Formosa, Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, Lisboa, 1989, p. 4).

 

Este ecossistema constitui zona de invernada de aves provenientes do norte e centro da Europa. Constitui também zona de passagem importante para as migrações entre o norte da Europa e a África. Abriga espécies raras em Portugal, possibilita a nidificação a espécies cujos habitats têm vindo a regredir. Para além da importância ornitológica, a Ria constitui ainda local de abrigo e alimentação para diversas espécies aquáticas, particularmente nas suas fases juvenis. A flora existente constitui uma área de grande interesse botânico, com formações como a mata esclerófila, vegetação de sapal e dunas.

 

Estatuto
A Ria Formosa é uma área protegida com o estatuto de Parque Natural, legalmente criada pelo Decreto-Lei nº 373/87 de 9 de Dezembro, tem como objectivos preservar o sistema lagunar, proteger a fauna e flora específicas da região, as espécies migratórias e os habitats, e promover o uso ordenado do território e dos recursos naturais, contribuindo para o desenvolvimento económico, social e cultural e para o ordenamento das actividades recreativas e que se estende pelos Concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Stº António e abrange uma área de cerca de 18400 ha ao longo de 60km desde o Ancão até à Manta Rota. Está também integrada na Rede Natura 2000 como zona de proteção especial, estabelecida ao abrigo da diretiva AVES, e como zona especial de conservação, ao abrigo da diretiva HABITATS:
- Ao abrigo da diretiva AVES, a Ria Formosa está classificada como zona húmida de importância comunitária como habitat de aves aquáticas, A zona de Proteção Especial para aves selvagens “Ria Formosa” foi criada Decreto-Lei nº 384-B/99, de 23 de Setembro. O Concelho de Faro tem uma área de 5989 hectares classificados como ZPE (Zona de Proteção Especial), o que corresponde trinta por cento da área do concelho. Vinte e seis por cento da ZPE “Ria Formosa” encontra-se no concelho de Faro.
- Ao abrigo da diretiva habitats, a Ria Formosa está reconhecida como habitat natural de flora e fauna selvagem de importância comunitária, O Sitio “Ria Formosa – Castro Marim” foi criado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 142/97, de 28 de Agosto. O concelho de Faro tem uma área 6342 Ha classificados como Sitio de Importância Comunitária, o que corresponde a trinta e dois por cento do concelho. O concelho de Faro, abrange trinta e seis por cento da área total do sitio.

 

Importância
Para além da enorme importância cultural, natural e ambiental já descritas, a Ria Formosa tem grande significado ao nível económico, sendo o principal recurso para a populações residente que tem a sua atividade económica diretamente ligada à ria, nomeadamente na pesca, marsicagem, moluscicultura, produção, piscicultura. Ao nível do Turismo, a Ria Formosa tem também um potencial incrivel, sendo um dos principais argumentos, nomeadamente para o turismo de natureza, sol e praia, observação de aves, desporto nautico.

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